Eu chorei em Cuba (2)

A ilha onde fica Cuba encontra-se no mar do Caribe, bem ao sul da Flórida, nos EUA. É uma região sempre sujeita a grandes tempestades tropicais, ali chamadas de “huracanes”.

Depois de algum tempo para me recompor da emoção inicial, comecei a falar aos irmãos cubanos reunidos no culto da manhã daquele domingo, mas ainda com a voz embargada. Usei o texto do livro de Atos dos Apóstolos, capítulo 27, a partir do verso 13. Por causa de uma forte tempestade é relatado ali o naufrágio do navio que levava o Apóstolo Paulo em sua viagem para a capital do Império, Roma.

Disse-lhes que todos estamos sendo arrastados com violência pelo ventos e tempestades em nossas vidas, muitas vezes sem poder resistir. Como o apóstolo Paulo e seus companheiros de viagem, vamos muitas vezes navegando por mares bravios sem entender e sem saber aonde vamos parar. Há momentos que, açoitados severamente pela tormenta, sem ver nem sol nem estrelas, quase que se dissipa toda a esperança de salvamento. E aqueles irmãos cubanos, que sobreviveram em 2008 à passagem de 3 grandes tormentas, entenderam muito bem a mensagem…

Sobretudo, disse-lhes, o Senhor tem propósitos para nossas vidas, nossas igrejas e, principalmente, para Cuba e para o Brasil. Ao atravessarmos pelo meio da tempestade o mais importante é ter profunda intimidade com o Senhor. Ele vai nos mostrar que ainda há esperança e que Ele nos concedeu todas as vidas que navegam conosco.

Aquele povo vive debaixo de um sistema de governo cruel, mas o Senhor tem tocado muitas daquelas vidas com o Vento do Espírito Santo e as igrejas, mesmo com mão de ferro sobre elas, tem crescido em esperança e em poder.

Perguntei muitas vezes como é possível um médico, ou trabalhador, ou mesmo um pastor sobreviver com um salário de 10 a 30 dólares, ou 20 a 60 reais por mês? Você leitor poderá fazer essa mesma pergunta que eu fiz a eles. Eis a resposta dos cubanos: é a maravilhosa Graça de nosso DEUS. Glorificado e exaltado seja o nome do nosso DEUS.

As famílias sobrevivem porque a imensa maioria cria, em sua casa ou seu quintal, um porquinho ou uma galinha. Mas durante a celebração dos cultos não falta quem possa ofertar, nem que sejam duas moedinhas, como aquela viuva do tempo de Jesus.

Outro momento de forte impacto em minha vida de pastor brasileiro foi quando, ao final da mensagem, convidei a igreja para que orássemos por aqueles que se encontravam em meio a um furacão, dificuldades na família, enfermidades, problemas financeiros. Não esperava ver o que eu vi. Muitos, mas muitos mesmo, se colocaram de pé e começaram a clamar, e a chorar, até com soluços buscando o DEUS que tudo pode.

Não pude orar. As palavras me faltavam, novamente… Pedi ao Pr. Marciano que orasse. Ele o fez, visivelmente emocionado, orando por sua congregação e por seu próprio país. Amados, pude então entender o quanto somos abençoados em nosso Brasil, em nossas igrejas, e o Senhor me mostrou o quanto podemos fazer pelos irmãos cubanos.

(continua)

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