A PROPÓSITO DA DISCUSSÃO SOBRE NEUTRALIDADE RELIGIOSA

fofoca-1Um dos benefícios históricos da Reforma, para a Igreja de Cristo, foi o mérito de desvincular-se do Estado, possibilitando a ela manter-se distante da idolatria e da corrupção da Igreja oficial. Contudo, este afastamento entre a vida religiosa e a vida pública trouxe consigo (sobretudo no último século) uma relativização dos valores morais e dos princípios éticos da sociedade.

Sem dúvida, uma ciência sem Deus e uma sociedade sem Deus caminham para serem abandonados à sua própria sorte (ou à sua própria concupiscência – Rom 1.24). Por isso é que, segundo me parece, defender a neutralidade de um Estado laico é contribuir com a
subjetividade dos valores morais – que não deveriam ser só valores bíblicos, mas valores universais absolutos. Mas como defender esta posição sem parecer um xiita?

À luz do direito liberal, qualquer pessoa pode escolher pautar a sua vida da forma como melhor lhe parecer. Isso eu defendo também. É graças a este princípio que temos a liberdade religiosa em nosso país. Ninguém pode impor seu credo e a sua forma de pensar a outrém. Daí surgem alguns problemas… como é que vamos exigir das pessoas que tenham uma consciência cristã, se elas decidiram optar pelo ateísmo ou se, por convicções pessoais, defendem a união entre pessoas do mesmo sexo?

Em resumo, penso que neutralidada não combina com Igreja. Afinal… o nosso papel é influenciar como o sal e a luz.

Paulo Henrique Oliveira Costa

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